28/05/10

pergunta-me


as pálidas nuvens. que nos contrafortes. do firmamento. interrompem a plenitude. do teu olhar. são fortalezas arruinadas. por este Maio insolente. triste. e no entanto. o luar resiste. como resistem os barcos. que agora. atravessam. os altos mastros da escuridão. barcos. melodiosos. leves. fluentes. como a tua voz.
pergunta-me. porque te espero. nas ondas que agonizam na praia. como soldados exaustos.
pergunta-me porque espero eu: uma barra de sombra. nos teus cabelos. um véu de espuma no teu ventre. uma trémula luz. no teu sorriso. nesta indecisa claridade de Maio. anoiteço entre salgueiros. abro os braços à maresia. e a tremer. de frio. fico deitado. sobre ti.




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(imagem de desconhecido)