
demasiado tarde
é demasiado tarde. e a tua ausência. rouba-me as palavras.
há um estranho silêncio. nas horas. em que vais. ao terraço. curar a melancolia dos domingos. entregas ao vento. o teu rosto fechado. queres habituar-te à ausência do amor. e esqueces. que a seguir à morte da saudade. renascem os cheiros. é na pele. que a memória nos atraiçoa.
*
(imagem de sweetcharade)

4 comentários:
Demasiado tarde...
Quando dei conta era demasiado tarde.
Já os espinhos me tinham nascido ao longo do dorso alongado e,
embora adormecidos, eu sabia que eles um dia acordariam,
para resgatar a autonomia perdida.
Quando dei conta, era realmente, demasiado tarde.
Já definia territórios na lei da legitimidade das coisas e tinha como
meus, os domínios de um mar que nunca conhecera.
Já os meus olhos, de cor indefinida, se fixavam nos vidros do aquário,
numa tentativa punjente de libertação.
De fuga, às limitações a que os peixes palhaços me submetiam,
à primeira vista, inofensivos, coloridos e afáveis brincando macios, em anémonas dançantes.
Extemporâneamente me apercebi da inevitabilidade da mudança,
da necessidade das escamas, guardiãs da alma.
Quando dei conta de mim, percebi por fim, que eu tinha morrido lentamente dentro de um aquário de sal e quem ocupava, agora, este corpo, era o meu peixe balão.
...demasiado tarde...
Os motores que entre nós aceleram
os vazios comboios do sonho
das mulheres que estão à espera
são o único luto que ponho.
(Natália Correia)
O poeta é um fingidor, finge tão completamente, que até finge que é amor, o amor que não sente!
com muita lógica anónimo .
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