31/12/08


corpo

que conhece

as duras

tábuas

da solidão

só na miragem

é-lhe

concedido

um arremedo

de absoluto.

na blindada

monotonia das horas

que antecedem

um novo ano

só as vogais

abertas

ou os frutos maduros

que naquela tarde

de um anónimo dia

de inverno

provamos

brindam ao

rasto da lua

o sabor

a maçã

da tua pele

e tornam

substantivos

os mandamentos

do calendário

ou os foguetes

de um outro

alvorecer

no espelho

dos teus

olhos.



*




(imagem de autor desconhecido)