
Tenho medo deste sol que a voz do mar me abandone e uma só pérola do teu olhar estilhace no vendaval. Que ardam todas as orquídeas dos montes que o fogo das nossas mãos se extinga no estertor de uma ave marinha. Que te exiles no covil dos ciúmes que já não acredites no hálito branco que corre entre os juncos como o imaculado rio da tua infância.
Tenho medo. Por isso escrevo-te.
(retirado de "O Aparo do Demónio" de alberto serra)
(fotografia de lena queiroz )