08/09/07


para si nesta noite triste
enrolar algodão
em laços de neblina
na praia do norte.
ao leme as tuas mãos
o mar fulmina
os ventos insubmissos
há um navio
sossegado
na vazante.

teus olhos
silenciam
o estrondo dos relâmpagos.


quero muscular-me de infinito
no declive polposo dos teus lábios.
quero beber um cálice de maresia
em todas as palavras caladas.


escuta a oratória do oceano
aceita-me cego.
só a pele responde por mim
só o meu apagamento de crepúsculo
fará crescer a noite.
ressoando
nos campanários.

(fotografia de paulo madeira)