
para si nesta noite triste
enrolar algodão
em laços de neblina
na praia do norte.
ao leme as tuas mãos
o mar fulmina
os ventos insubmissos
há um navio
sossegado
na vazante.
teus olhos
silenciam
o estrondo dos relâmpagos.
quero muscular-me de infinito
no declive polposo dos teus lábios.
quero beber um cálice de maresia
em todas as palavras caladas.
escuta a oratória do oceano
aceita-me cego.
só a pele responde por mim
só o meu apagamento de crepúsculo
fará crescer a noite.
ressoando
nos campanários.
(fotografia de paulo madeira)