eras a página 23. deitada em caracteres romanos. gosto de andar nua. em letras antigas. confessaste. no primeiro parágrafo.
antes ainda de eu concluir. o enredo. foi então. que no branco da página. te despiste. as tuas ancas. eram acentos. circunflexo.
e os teus mamilos. chapéus de mandarim. passeando pelas margens. de um rio mandrião. apagavas frases. com lenços da índia.
e eu enxugava o meu suor. à tua pele. seriam de papiro os teus ombros? pedi-te que descesses. queria que perfumasses a página.
detesto o cheiro a papel pardo. o teu corpo. era toda a página 23. os teus flancos não era um mata-borrão. nem pontos finais. os teus poros.
olhavas-me. languidamente. do alto das interrogações. e eu beijava-te. em sucessivos travessões. nomeei-te guia. da 23.
e teimei em não sair daquela página. sabia que ao permaneceres. ali. deitada. como os teus olhos em itálico. e os lábios em requebro
rosáceo. o romance que naquela altura. não passava de um ligeiro esgar. estava concluído. bastava só. esticar-me. nos teus cabelos.
e chamar 23. ao nosso primeiro orgasmo. escrito em letras romanas.
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(imagem de erlandpil)





