
corpo
que conhece
as duras
tábuas
da solidão
só na miragem
é-lhe
concedido
um arremedo
de absoluto.
na blindada
monotonia das horas
que antecedem
um novo ano
só as vogais
abertas
ou os frutos maduros
que naquela tarde
de um anónimo dia
de inverno
provamos
brindam ao
rasto da lua
o sabor
a maçã
da tua pele
e tornam
substantivos
os mandamentos
do calendário
ou os foguetes
de um outro
alvorecer
no espelho
dos teus
olhos.
*
(imagem de autor desconhecido)






